segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

A combustão espontânea

Desde o seu primeiro dia de vida, esta página destacou-se, não só em Espanha ou em espanhol mas também em inglês e nos quatro continentes, como uma das páginas que mais tem contribuído para a análise geoestratégica da actual situação e da situação mundial num futuro próximo. Poucas páginas e/ou pessoas podem dizer o mesmo. Desde logo, nem uma página em Espanha nem um noticiário, um relatório ou uma reportagem de investigação deu mais aos seus leitores do que nós. Nós, por agora, somos só eu, Daniel Estulin. Em Setembro incorporaremos algumas das pessoas mais brilhantes da actualidade nos campos da política internacional, para escreverem tanto na secção em inglês como na em espanhol. Daremos um salto qualitativo na qualidade da informação e na sua envergadura. Os leitores e sobretudo os acontecimentos com que nos deparamos diariamente exigem-no.

A mesma lógica que utilizei para informar acerca do Pico do Petróleo, o negócio das drogas, o crime organizado dos políticos, as sociedades secretas, George Soros, a destruição do Canadá, Alexander Litvinenko, Bilderberg, Comissão Trilateral, etc., etc. agora exige algo diferente. Esse algo dá pelo nome – pensamento conceptual. Para mudar o mundo a muito curto prazo, temos que mudar radicalmente a nossa forma de pensar. Quando montei a minha página, este foi um dos meus propósitos mais urgentes. Digo-o, porque diariamente recebo centenas de correspondência na qual os leitores me dizem que não estou a ser muito compreensivo com eles e que não reconheço o muito que estão a fazer para mudar as coisas. Dizem-me que trabalham muito para manter a família e que não podem fazer mais. Não peço mais, na realidade nunca pedi nada a ninguém. Peço simplesmente que recordem que a única forma de mudar o mundo é entender como funciona realmente o dinheiro. Aposto seja o que for, em como 99% dos leitores continuam a manter o seu dinheiro em grandes bancos ou caixas de aforro, com os seus planos de reforma investidos em algum fundo de investimentos na bolsa. O dinheiro tem as suas próprias regras. De facto o mundo actual é dirigido por duas máximas primárias – a geografia e o dinheiro. A geografia, em todos os sentidos da palavra influencia o dinheiro. O petróleo é apenas um dos muitos exemplos das novas alianças a curto prazo que vinculam a geografia à massa.

Quão perto estamos de uma revolução? Perguntou-me um leitor. Qualquer leitor venezuelano, do Panamá, argentino, brasileiro, boliviano, peruano e equatoriano conhece demasiado bem a resposta. As revoluções são feitas pelas pessoas e pelos povos que não conseguem dar de comer à sua família. Quando os filhos começam a morrer de fome, os pais perdem o medo e saem à rua. Os que me fazem essas perguntas, obviamente não são suficientemente pobres, ainda. E, portanto, por enquanto ainda têm bastante que comer.

Também muitos, na sua correspondência, acusam-me de “aviltar” os “activistas” como Michael Moore pelo “seu bom trabalho em nome da liberdade.” Posso aceitar essa crítica sem dizer nada que algum ouvinte da Ana Rosa Quintana ou da Cármen Sevilla ou de Los del Rio. Normalmente, esses ouvintes são pessoas quase analfabetas e acreditam cegamente em tudo o que lhes contam nas páginas do coração. Mas fico surpreendido quando as pessoas, algumas que já lêem esta página há mais de seis meses, me dizem algo do género. Vamos a ver.

Os que acreditam que More ou Al Gore são guerreiros nobres que lutam pela liberdade em nosso nome, sofrendo por causa da sua valentia contra as forças do mal, deviam dar-se conta que enquanto alguns de vós são obrigados a apanhar o metro ou o autocarro para andarem pela cidade, Moore, para se movimentar do ponto A para o ponto B, utiliza um jacto privado tipo Gulfstream. Não esquecemos, também, os convites VIP para congressos do partido republicano. Uma vez mais, Moore e Gore são os guardiões do Império, posando como activistas. Moore está convencido de que não havia nenhuma conspiração governamental estadunidense no 11 de Setembro: ou seja, segundo ele, o governo não esteve envolvido de maneira nenhuma. Além disso, Moore chama a qualquer pessoa que discorde dele de idiota. Os “activistas” estadunidenses anti Bush partem-se a rir com Moore. Anti Bush, em linguagem política americana, significa ser pró Democrata. Os democratas e os republicanos trabalham para o dinheiro. O dinheiro tem as suas próprias regras. A política é, meramente, uma ferramenta de controlo das massas. Depois de seis meses e quase 200 artigos originais, isto ainda não ficou clarificado? Moore e Gore estão no negócio de promover Moore e Gore.

As pessoas que seguem Moore, Gore, Hillary e Obama jamais, mas jamais, conseguirão mudar seja o que for. Só conseguirão ficar mais pobres. O dinheiro tem as suas próprias regras e devíamos compreender isto o quanto antes.

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